A Justiça de Igrejinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, decidiu que Gisele Beatriz Dias, de 44 anos, poderá ser julgada por duplo feminicídio após um laudo psiquiátrico concluir que ela tinha condições mentais para responder pelo crime. As gêmeas Manuela e Antônia Pereira, de apenas 6 anos, faleceram em outubro de 2024, em um intervalo de apenas oito dias, em circunstâncias trágicas que chocaram a comunidade local.
O documento que atesta a capacidade de Gisele de entender a gravidade de seus atos foi homologado pelo juiz Diogo Bononi Freitas, que determinou o retorno do processo criminal, que estava suspenso para a realização da perícia. O magistrado afirmou que Gisele era “plenamente imputável à época dos fatos”, o que significa que ela pode ser julgada e responsabilizada por suas ações.
O Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul alega que a mãe teria sufocado as filhas, e Gisele permanece presa desde então. O primeiro óbito, de Manuela, ocorreu em 7 de outubro de 2024, e a irmã Antônia faleceu oito dias depois, em 15 de outubro, dia em que Gisele foi detida.
A tia das meninas, Graziela Pereira, expressou um misto de alívio e dor com a determinação da Justiça. “Traz um certo tipo de alívio. Por pensar que, da mesma forma que as meninas não tiveram poder de escolha naquele momento, quem fez isso com elas também não vai ter o poder de escolha”, disse em entrevista, ressaltando que a família enfrenta um dos momentos mais difíceis de suas vidas.
O laudo psiquiátrico, que foi divulgado em 25 de setembro, descartou a possibilidade de que Gisele estivesse com transtornos mentais que a tornassem incapaz de compreender a ilegalidade de suas ações. Apesar de um histórico de problemas depressivos e uso de medicamentos, a conclusão foi clara: não havia evidências suficientes de que sua capacidade de discernimento estivesse comprometida no momento dos crimes.
A tragédia começou quando Manuela foi encontrada desacordada em casa e levada ao hospital já sem vida, com a suspeita inicial de infarto. Oito dias depois, Antônia foi encontrada também desacordada e, ao ser examinada, o Corpo de Bombeiros confirmou o óbito. A investigação se intensificou após os depoimentos de profissionais de saúde que levantaram suspeitas sobre a atuação da mãe.
O caso das gêmeas, que chocou a cidade de Igrejinha, agora caminha para um julgamento pelo Tribunal do Júri, embora a data ainda dependa de trâmites legais. A população local aguarda ansiosamente por justiça em um episódio que deixou marcas profundas na comunidade.



