A tragédia envolvendo a família Aguiar, de Cachoeirinha, ganhou novos contornos após o Ministério Público denunciar o policial militar Cristiano Domingues Francisco e mais dois indivíduos pelo desaparecimento e assassinato de Silvana de Aguiar, 48 anos, e seus pais, Isail, 69, e Dalmira, 70. O caso, que abalou a comunidade local, ocorreu em janeiro e, desde então, as chances de encontrar os desaparecidos vivos são consideradas remotas.
Cristiano, ex-marido de Silvana e principal suspeito, já possui um histórico criminal pesado, respondendo por dois feminicídios e um homicídio qualificado, além de outros crimes como ocultação de cadáveres e associação criminosa. Atualmente, ele aguarda a avaliação de sua capacidade de defesa em um processo administrativo que pode resultar em sua expulsão da Brigada Militar.
A Junta Policial-Militar de Saúde, que deveria avaliar Cristiano no dia 18 de setembro, adiou a data, deixando sua situação em suspenso. O advogado responsável pelo caso defende que a avaliação não surge de uma suspeita específica, mas sim de um procedimento padrão para casos semelhantes. Enquanto isso, Cristiano permanece detido no Presídio Policial Militar em Porto Alegre.
As defesas de Cristiano, de seu irmão Wagner e da companheira Milena Ruppenthal Domingues, questionam a investigação e a forma como as evidências foram coletadas. Eles alegam que o depoimento de Cristiano, inicialmente tomado como testemunha, foi utilizado de forma inadequada para justificar ações da polícia, como quebras de sigilo. Além disso, a defesa de Milena contesta a acusação de que ela participou da produção de áudios falsos relacionados ao caso.
Embora o inquérito tenha sido concluído com o indiciamento de seis pessoas, o processo judicial ainda não tem prazo definido para seu julgamento. A Justiça de Cachoeirinha negou pedidos de prisão dos suspeitos, mas algumas medidas cautelares, como a proibição de Milena se aproximar do filho de Silvana, foram determinadas.
O caso da família Aguiar continua a repercutir na região, gerando preocupação e indignação na comunidade. A Brigada Militar, em nota, afirmou que o processo disciplinar de Cristiano está em andamento, garantindo os direitos de defesa e os trâmites legais necessários para a condução do caso.

