sexta-feira, 23/10/2026

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STJ ordena prisão de torturador uruguaio por crimes cometidos na ditadura militar

Uma decisão histórica foi tomada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao determinar a prisão de Pedro Antonio Mato Narbondo, ex-agente da repressão uruguaia, que agora deve cumprir pena no Brasil por crimes cometidos…

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Uma decisão histórica foi tomada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao determinar a prisão de Pedro Antonio Mato Narbondo, ex-agente da repressão uruguaia, que agora deve cumprir pena no Brasil por crimes cometidos durante a ditadura militar. O caso, que remonta a 1976, envolve o sequestro, tortura e morte de quatro cidadãos italianos na Argentina, no que ficou conhecido como Operação Condor.

Conhecido como “El Burro”, Narbondo, que nasceu no Uruguai, tornou-se brasileiro nos anos 2000. Até março deste ano, ele vivia em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, onde estava sob monitoramento com tornozeleira eletrônica e tinha restrições de deslocamento. A decisão do STJ, homologando uma sentença da Justiça italiana, não apenas representa um avanço na luta contra a impunidade por crimes de direitos humanos, mas também marca um precedente no Brasil, onde pela primeira vez um agente de uma ditadura militar será punido por suas ações.

A Operação Condor foi uma colaboração entre os serviços de inteligência de vários países sul-americanos, incluindo Brasil e Argentina, que resultou em uma série de violações de direitos humanos, como sequestros e desaparecimentos forçados. Dentre os envolvidos, Narbondo era o único que ainda não havia sido responsabilizado legalmente. A decisão da Corte foi influenciada pela argumentação do Ministério Público Federal (MPF), que destacou que crimes como tortura e execução sumária não podem ser anistiados ou prescritos, conforme a legislação internacional.

Os ministros do STJ discutiram a aplicação da Lei da Anistia, que perdoou crimes políticos da época, mas a maioria decidiu que ela não se aplicava ao caso de Narbondo. Essa postura reforça a ideia de que o Brasil deve responsabilizar aqueles que cometeram atrocidades, independentemente do tempo passado ou de sua nacionalidade. Assim, a justiça começa a dar passos significativos, garantindo que os responsáveis por graves violações de direitos humanos enfrentem as consequências de seus atos, mesmo décadas após os crimes.