terça-feira, 20/10/2026

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Ator surdo defende acessibilidade em peça interrompida por Marco Nanini após queixa sobre intérprete de Libras

Uma situação constrangedora aconteceu no último domingo (18) no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre, durante a apresentação da peça “Fim de Partida”. O ator Marco Nanini gerou polêmica ao interromper o espetáculo…

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Uma situação constrangedora aconteceu no último domingo (18) no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre, durante a apresentação da peça “Fim de Partida”. O ator Marco Nanini gerou polêmica ao interromper o espetáculo para solicitar a retirada dos intérpretes de Libras, alegando que a iluminação sobre eles estava interferindo em sua atuação. O pedido resultou em frustração e indignação entre os presentes, especialmente entre os membros da comunidade surda.

Lucas Bourscheid, um ator surdo de 32 anos que estava na plateia, expressou seu descontentamento com a situação. Segundo ele, a produção da peça já havia se comprometido a oferecer acessibilidade, incluindo Libras e audiodescrição. Após a retirada dos intérpretes, muitos espectadores, que precisavam desse recurso, optaram por deixar o teatro em protesto.

“A arte é para todos e a comunidade surda tem o direito de participar, compreender e vivenciar o espetáculo em sua própria língua, a Libras”, enfatizou Bourscheid, que se sentiu chocado e frustrado com a exclusão. O público, em sua maioria, reagiu vaiando Nanini, demonstrando apoio à causa e à importância da acessibilidade.

A produtora Pequena Central de Produções Artísticas, responsável pelo espetáculo, emitiu uma nota reconhecendo a falha na verificação das condições técnicas para a interpretação em Libras e se desculpou pelo ocorrido. A Fundação Theatro São Pedro também lamentou a situação, afirmando que buscou alternativas durante a apresentação, mas não conseguiu resolver o problema a tempo.

Bourscheid destacou que episódios como esse têm um impacto significativo, não apenas na apresentação em si, mas na disposição do público surdo em participar de eventos culturais. “Pode destruir a vontade de assistir, causar um impacto emocional”, alertou.

Após o tumulto, alguns atores, como Ary França e Guilherme Weber, procuraram Bourscheid para se desculpar pela situação. Ele ressaltou que a acessibilidade deve ser parte do planejamento de qualquer produção cultural, garantindo que todos tenham a oportunidade de desfrutar da arte.

O espetáculo “Fim de Partida”, escrito por Samuel Beckett e encenado por um elenco renomado, teve sua primeira apresentação em Porto Alegre no dia anterior, sem incidentes. A comunidade cultural local agora se questiona sobre a importância de garantir acessibilidade em eventos artísticos e o papel do teatro na inclusão social.