Um projeto inovador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) está movimentando a pesquisa ambiental no Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí. Com a instalação de 18 armadilhas fotográficas, os pesquisadores buscam monitorar a fauna silvestre local e identificar espécies de felinos ameaçados que habitam o Pampa gaúcho.
As câmeras, posicionadas a cerca de um quilômetro umas das outras, são acionadas por sensores de movimento e possuem tecnologia infravermelha, permitindo a captura de imagens mesmo à noite, sem o uso de flash. Até o momento, as armadilhas já registraram uma diversidade surpreendente de animais, como o tatu-pelado, zorrilho e a emblemática lontra, além de um gato-do-mato-grande de coloração preta.
De acordo com a mestranda Mariana Guimarães Xavier da Costa, a iniciativa visa compreender melhor a biodiversidade da região. “Colocamos as câmeras para entender um pouco sobre quais são as espécies que estão ocorrendo”, explica. Além de mapear a fauna, o monitoramento pode trazer insights sobre hábitos reprodutivos e a distribuição das espécies, sendo fundamental para confirmar a presença de felinos que habitam o bioma.
Entre as prioridades do estudo está o gato-palheiro-pampeano, uma das espécies mais ameaçadas do mundo. Embora ainda não tenha sido registrado nas câmeras, a professora Flávia Pereira Tirelli destaca que a conservação dos campos nativos é crucial para a sobrevivência dessa espécie. “O gato-palheiro-pampeano é uma espécie que precisa de pasto. A expansão de monoculturas, como soja e arroz, prejudica o habitat necessário para essa espécie”, alerta.
O Parque Estadual do Espinilho, influenciado por ecossistemas argentinos, é uma área rara no Rio Grande do Sul e abriga características que já foram mais comuns no estado. Bruno Carvalho Fernandes, gestor da unidade, ressalta a importância da preservação dessas áreas para manter a biodiversidade.
Além dos dados acadêmicos, as informações coletadas serão compartilhadas com a administração do parque, ajudando na elaboração de estratégias de conservação. “Ao entregar essa base de dados, os gestores poderão identificar onde estão as espécies críticas, como o gato-palheiro-pampeano, e planejar ações para a preservação local”, conclui Flávia Pereira Tirelli.


