quarta-feira, 21/10/2026

24° Caxias do Sul Nublado · máx 24° mín 10°

Central de resíduos próxima a área de preservação enfrenta acusações por crimes ambientais

A JM Central de Triagem, localizada em Alvorada, está no centro de uma disputa judicial que envolve crimes ambientais. A situação já chamou a atenção de diversos órgãos de fiscalização, que têm identificado uma…

Compartilhe:

A JM Central de Triagem, localizada em Alvorada, está no centro de uma disputa judicial que envolve crimes ambientais. A situação já chamou a atenção de diversos órgãos de fiscalização, que têm identificado uma série de irregularidades na operação da empresa ao longo dos anos.

Situada ao lado de uma área de preservação permanente e a poucos metros de um riacho, a central de resíduos é considerada pelo Ministério Público um aterro irregular. O promotor Bill Scherer destacou a necessidade de ação imediata para interromper o descarte inadequado e promover a recuperação da área afetada.

Embora a JM possua licença de funcionamento, essa autorização está condicionada ao cumprimento rigoroso das normas ambientais. Recentemente, imagens aéreas capturadas pelo Grupo de Investigação da RBS revelaram acúmulos de resíduos sem qualquer tipo de contenção. O doutor em engenharia ambiental Gino Gehling alertou sobre os riscos de contaminação das águas, especialmente em áreas sem cercas de proteção, como exigem as legislações pertinentes.

A JM Central de Triagem iniciou suas atividades em 2023, mas já enfrentou problemas legais antes mesmo de obter a licença, sendo autuada por operar de maneira irregular e por queimar detritos. Em 2024, a central foi temporariamente interditada devido a danos ambientais, mas reabriu para receber lixo oriundo de enchentes, com a devida autorização. A situação da área tem mudado drasticamente, conforme evidenciado por imagens de satélite de 2024 para 2025.

A Secretaria de Meio Ambiente de Alvorada confirmou que, em 2025, novas irregularidades foram identificadas na operação da JM. A prefeitura aplicou multas e exigiu que a empresa se adequasse às condições de licenciamento e tomasse providências para recuperar as áreas afetadas. De acordo com o Ministério Público, as infrações incluem disposição inadequada de resíduos, expansão de atividades para além dos limites licenciados e intervenções em áreas de preservação.

Atualmente, três indivíduos, incluindo o proprietário da JM, Marcos Paulo Barbosa da Silva, que também é presidente da Câmara de Vereadores de Alvorada, enfrentam acusações de poluição e associação criminosa. Marcos defende que os resíduos estão a uma distância segura do riacho e argumenta que muitos dos problemas ocorreram antes de sua posse da empresa. A prefeitura e Marcos estão em negociação para um Termo de Ajustamento de Conduta que pode regularizar a situação.

A defesa de Elizandro Tadeu Hinrichsen, um dos réus, afirmou que o empreendimento sempre seguiu as normas e destacou a importante função da JM na gestão de resíduos após a enchente de 2024. Enquanto isso, a Secretaria de Meio Ambiente de Alvorada reafirma seu compromisso com a fiscalização e proteção ambiental, destacando que a atuação em áreas de risco é contínua e necessária para garantir a segurança da população e a integridade do meio ambiente.

Crédito da imagem: Jonathan Heckler/Grupo RBS