segunda-feira, 26/10/2026

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Esposa de agricultor assassinado no RS fala sobre o momento do confronto com a polícia; sete PMs são denunciados

Sete policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) após a trágica morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, durante uma operação policial em sua residência na…

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Sete policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) após a trágica morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, durante uma operação policial em sua residência na zona rural de Pelotas. O caso, que ocorreu no dia 15 de janeiro, também envolveu a tentativa de homicídio contra a esposa da vítima, Raquel Amorim Motta Nörnberg.

Raquel, em depoimento, compartilhou a dor insuportável que a acompanha desde a fatídica noite. “Doía muito ouvir que o meu marido havia recebido a polícia a tiros”, desabafou, revelando o sofrimento de ser a única testemunha de um evento tão devastador. O que deveria ser uma operação de rotina se transformou em um pesadelo para a família Nörnberg.

A denúncia do MPRS indica que três dos PMs estiveram envolvidos na identificação equivocada do local a ser alvo da operação, enquanto outros quatro participaram diretamente da ação que resultou em disparos. Imagens de câmeras de monitoramento mostraram a intensidade da ação, com ao menos 18 tiros sendo disparados. Após a confusão, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada ao local.

O MP argumenta que os policiais agiram de maneira irresponsável, entrando na propriedade da família sem a devida verificação da informação que os levou até ali. Marcos foi atingido por oito tiros de fuzil, enquanto sua esposa também foi baleada, mas sobreviveu. Além da responsabilização criminal, o Ministério Público requisitou que os acusados sejam julgados pelo Tribunal do Júri, percam seus cargos e que a família da vítima receba uma indenização.

A investigação revelou que a operação visava localizar membros de uma quadrilha envolvida em roubos, com informações obtidas de detentos presos no Paraná. No entanto, a apuração concluiu que houve um erro grave na identificação da propriedade correta, levando os policiais à casa da família Nörnberg, onde a tragédia aconteceu. A alegação de legítima defesa, apresentada pelos policiais, foi rejeitada pelas evidências coletadas no inquérito.

Na madrugada do incidente, Raquel e Marcos estavam dormindo quando ouviram barulhos no pátio. Ao sair para investigar, Marcos foi baleado, e sua esposa, impotente, ouviu os disparos. O comandante da Brigada Militar à época, Cláudio Feoli, admitiu que houve um “grande equívoco” na operação, reconhecendo que a informação que levou os PMs ao local estava incorreta.