Em Caxias do Sul, uma história de resiliência e aprendizado tem encantado os moradores de uma casa de repouso. Iolanda Branco, uma professora de 81 anos, decidiu voltar a dar aulas após uma longa pausa de 50 anos. O projeto, que reúne colegas de moradia, surgiu do desejo dos próprios moradores em retomar os estudos e se aprofundar em novos conhecimentos.
Ao relembrar seu retorno à sala de aula, Iolanda diz que nunca imaginou que teria essa oportunidade novamente. “Quando eu parei de lecionar, achei que nunca mais voltaria, sabe? Cheguei aqui e encontrei um pessoal que estava querendo aprender alguma coisa. Então eu me realizei”, compartilhou a professora, que se mostra empolgada com a interação com seus alunos.
As aulas na casa de repouso não são apenas uma forma de aprendizado, mas também um espaço para a troca de experiências de vida. José Alfredo dos Santos, de 72 anos, destaca que todos os participantes têm histórias ricas para contar, contribuindo para um ambiente de aprendizado mútuo. “Nós aprendemos e ensinamos também. É uma troca muito salutar”, afirmou.
O retorno aos estudos também trouxe emoções à tona para Gilberto Boch, de 62 anos, que precisou interromper sua educação na infância para ajudar a família. “Eu me emocionei na primeira aula, é verdade. Fiquei bem feliz de ver um caderno, pegar um lápis, um papel pra escrever”, revelou, recordando o que parecia ser um capítulo fechado de sua vida.
Nadir Battassini, de 90 anos, também fez parte dessa nova jornada. Após um início hesitante, ela se deixou levar pela experiência e hoje já percebe seus avanços. “No começo eu ficava meio assim, né? Mas depois comecei a gostar, é muito bom”, disse, elogiando a dedicação de Iolanda.
A influência de Iolanda vai além dos alunos que ensina; suas filhas, Taís e Karen Aver, seguiram seus passos na profissão e também se envolvem no desenvolvimento educacional de seus alunos. Karen ressalta a importância de garantir acesso ao conhecimento para todos, refletindo sobre a realidade de sua mãe: “É muito lindo ver ela se alfabetizar agora e é muito triste ao mesmo tempo, porque ela não teve a oportunidade quando era mais jovem”.
Essa história nos lembra que nunca é tarde para aprender e que o conhecimento deve ser um direito acessível a todos, independentemente da idade ou do passado. A iniciativa de Iolanda e seus alunos é um belo exemplo de que a educação é um caminho que pode ser trilhado em qualquer fase da vida.
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