quarta-feira, 21/10/2026

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Retirada de intérprete de Libras em peça de Marco Nanini levanta questões sobre acessibilidade na Lei Brasileira de Inclusão

Um incidente controverso marcou a apresentação da peça “Fim de Partida”, protagonizada por Marco Nanini, no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre, no último domingo (18). O ator pediu a retirada dos intérpretes…

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Um incidente controverso marcou a apresentação da peça “Fim de Partida”, protagonizada por Marco Nanini, no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre, no último domingo (18). O ator pediu a retirada dos intérpretes de Libras, alegando que a iluminação sobre eles estava prejudicando sua performance. Entretanto, essa ação gerou vaia do público, que se manifestou contra a interrupção da acessibilidade garantida por lei.

A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) deixa claro que a acessibilidade para pessoas com deficiência deve ser assegurada em todas as atividades culturais. O artigo 42 proíbe a retirada de recursos como a interpretação em Libras durante uma apresentação, visando garantir que todos tenham o mesmo acesso à cultura. Essa situação, portanto, não apenas desrespeitou a legislação, mas também excluiu aqueles que dependiam desse recurso para compreender a encenação.

Testemunhas relataram que, após o pedido de Nanini, a sessão foi interrompida, e muitos espectadores, incluindo pessoas surdas, deixaram o teatro em protesto ou por necessitar da interpretação em Libras. O clima ficou tenso, com vaias direcionadas ao ator, que, segundo a gestora cultural Izabel Cristina da Silveira, já havia levantado a questão da iluminação no início do espetáculo.

O impacto dessa situação foi sentido profundamente, como expressou o ator surdo Lucas Bourscheid, que estava presente na plateia. Ele destacou que a retirada de recursos de acessibilidade não é apenas uma falha momentânea, mas pode gerar um sentimento de exclusão que impacta a participação da comunidade surda em eventos culturais. “A arte é para todos e a comunidade surda tem o direito de participar, compreender e vivenciar o espetáculo em sua própria língua”, ressaltou.

Em resposta ao ocorrido, a produtora Pequena Central de Produções Artísticas admitiu a falha em verificar as condições técnicas adequadas para a apresentação com interpretação em Libras. A Fundação Theatro São Pedro também se posicionou, lamentando a falta de uma solução que garantisse a acessibilidade durante o espetáculo e reafirmando seu compromisso com o respeito a todos os públicos.

Esse episódio levanta questões importantes sobre a acessibilidade nas artes e a responsabilidade de todos os envolvidos em garantir que a cultura seja acessível a todos, sem exceções. A peça “Fim de Partida”, que já havia sido apresentada na noite anterior sem incidentes, agora ficará marcada por esse episódio que expôs as barreiras ainda enfrentadas por pessoas com deficiência em ambientes culturais.