sábado, 24/10/2026

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Benzedeiras do interior do RS modernizam rituais de bênçãos a animais por meio da tecnologia móvel

A tradição de benzer animais no interior do Rio Grande do Sul se reinventa com a tecnologia, mantendo viva uma prática que une fé e cuidado. No município de Santo Antônio da Patrulha, por…

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A tradição de benzer animais no interior do Rio Grande do Sul se reinventa com a tecnologia, mantendo viva uma prática que une fé e cuidado. No município de Santo Antônio da Patrulha, por exemplo, benzedores como Ronaldo Diniz Pereira têm utilizado celulares para atender demandas de criadores que antes exigiam visitas presenciais. Agora, uma simples foto do animal e uma mensagem são suficientes para que ele inicie rituais à distância.

Ronaldo, que exerce a prática há cerca de uma década, destaca a importância da crença para o sucesso dos rituais. “Todo mundo tem que ter fé, senão não funciona”, afirma, ressaltando que a conexão espiritual é fundamental, independentemente da distância física. Os proprietários enviam imagens e relatos dos problemas que os animais enfrentam, e, a partir disso, Ronaldo realiza suas orações.

Um exemplo do impacto dessa prática pode ser visto na experiência de Lauri, um criador de gado para rodeios. Após solicitar ajuda para uma vaca via áudio, ele notou uma melhora significativa no animal. “Ele tem um dom de Deus que benzeu e em poucos dias tava curada”, conta Lauri, reafirmando a importância da fé nesse processo.

José Ricardo Lima, outro produtor que recorreu a Ronaldo, também relata um desfecho positivo. Depois de enviar uma foto de uma potranca doente, ele ficou surpreso ao vê-la recuperada em questão de semanas. “Fiquei na dúvida, mas na terceira semana fui lá, e a potranca não teve nada”, recorda, demonstrando como a fé pode transformar a relação entre criadores e seus animais.

Além de Ronaldo, há também benzedeiras como Arinda Rocha de Souza, que utilizam elementos simbólicos em seus rituais. Com uma folha e uma faca, ela busca afastar os males que afligem os animais, enquanto invoca a proteção de santos como Santo Expedito e São Sebastião. “Eu acredito muito nele. E se eu peço para ele, ele está protegendo aquilo que eu estou pedindo”, diz Arinda, refletindo sobre a importância da fé em suas práticas.

A escritora Elma Sant’ana, que estudou essa tradição, observa que a prática de benzimento surge como uma forma de restaurar a harmonia entre humanos e animais no campo. “Ela tentava restaurar esse equilíbrio que existia entre o ser humano e os animais”, explica, ressaltando a interdependência que sempre existiu entre as duas partes.

Em Soledade, a benzedeira Jurema, de 77 anos, também mantém viva a tradição, oferecendo ajuda em eventos tradicionalistas. Com rituais rápidos, ela invoca a proteção divina para afastar males dos animais. Jurema lembra com carinho de histórias de recuperação, como a de uma égua que, após suas bênçãos, voltou a pastar. “Não levou 30 minutos, o guri chegou lá na maior alegria”, relata, mostrando que a fé e a tradição continuam a florescer no coração das comunidades rurais do estado.