As fortes chuvas que castigaram o Rio Grande do Sul entre terça (3) e quarta-feira (4) deixaram um rastro de destruição em várias localidades, incluindo Sananduva. No entanto, em meio a tanta devastação, uma cena surpreendente se destacou: uma Bíblia permaneceu intacta sobre o púlpito de uma igreja na comunidade de São João do Forquilha, mesmo com a água inundando o local.
Moradores da região relataram que o nível da água dentro da igreja superou um metro, causando estragos significativos, como a destruição de bancos e móveis. Ivanildo Massucatto, de 50 anos, registrou a situação em vídeo e descreveu a intensidade da enxurrada: “Nunca vi nada igual, a água chegou perto da janela da igreja”, contou.
O que impressionou Ivanildo foi o fato de que, apesar da força da correnteza ter deslocado o púlpito em cerca de 10 centímetros, a Bíblia permaneceu no lugar. “É uma história de arrepiar”, afirma ele, refletindo sobre a cena que presenciou.
As imagens capturadas mostram o interior da igreja coberto de lama e detritos deixados pela inundação. Segundo a Defesa Civil do estado, a situação é alarmante: 108 municípios foram afetados, com 24 pessoas feridas e mais de 47 mil pessoas impactadas, incluindo 234 desalojadas e 93 desabrigadas. Felizmente, não há registros de óbitos ou desaparecidos.
Em Tigre Baixo, outra comunidade de Sananduva, uma igreja construída na década de 1940 foi completamente destruída. Imagens feitas por moradores revelam a devastação, com o interior do templo tomado por vegetação e detritos trazidos pela água. “É uma cena muito triste, algo que nunca vimos antes”, lamentou Roberto Carlos Baroni, um morador local.
Na manhã da quarta-feira, Sananduva enfrentou um temporal extremo. A prefeitura informou que, após 66 milímetros de chuva na madrugada, 130 milímetros foram registrados em apenas uma hora, resultando em enxurradas que causaram danos em diversas áreas da cidade. Estradas vicinais foram interrompidas, sistemas de drenagem comprometidos, e pontes de madeira arrastadas pela força das águas.
A destruição não se limitou a estruturas; residências, prédios públicos e comércios também sofreram. No campo, os prejuízos foram severos, com perdas em lavouras e impactos significativos na produção agrícola, agravando ainda mais a situação de muitos agricultores da região.


