terça-feira, 03/11/2026

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Defesa argumenta que homofobia influenciou abordagem policial a casal em situação de rua

Um episódio polêmico tomou conta das redes sociais e das ruas de Porto Alegre na última semana. Nicolas Scherer, de 35 anos, foi derrubado e imobilizado por policiais militares de folga após ser suspeito…

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Um episódio polêmico tomou conta das redes sociais e das ruas de Porto Alegre na última semana. Nicolas Scherer, de 35 anos, foi derrubado e imobilizado por policiais militares de folga após ser suspeito de um assalto no bairro Cidade Baixa. O caso, que ocorreu na noite de 28 de outubro, levanta questões sobre homofobia e o tratamento de minorias na abordagem policial.

Após a abordagem, que foi registrada por câmeras de monitoramento, a defesa de Nicolas entrou com uma denúncia de homofobia na Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância. A alegação é de que a abordagem foi motivada por preconceito, uma vez que ele e seu namorado foram vistos com uma bolsa considerada “feminina” e que, segundo o advogado Mateus Oyarzabal, isso influenciou a forma como foram tratados pelos policiais.

De acordo com a versão da Brigada Militar, os policiais, que estavam em trajes civis, foram alertados sobre um suposto roubo e abordaram Nicolas, que teria se mostrado nervoso e corrido ao ser questionado. Contudo, a investigação posterior na delegacia revelou que a bolsa em questão pertencia a ele, o que gerou ainda mais confusão sobre a real motivação da abordagem.

Nicolas, que atualmente se recupera de uma fratura no dedão do pé — possivelmente ocasionada durante a abordagem — está afastado de suas atividades. O delegado Vinicius Nahan, responsável pela investigação, ressaltou a gravidade da homofobia em comparação a outros crimes, afirmando que a situação pode resultar em uma resposta legal mais severa para os envolvidos.

A defesa já apresentou vídeos e registros fotográficos das lesões de Nicolas, e a investigação promete ser complexa, envolvendo também os policiais que participaram da ocorrência. A transferência do caso para a Delegacia de Combate à Intolerância foi justificada pela experiência da equipe em lidar com situações que envolvem discriminação.

Enquanto isso, a Brigada Militar se manifestou sobre o ocorrido, afirmando que a intervenção foi uma resposta a um alerta de roubo. O caso continua a repercutir entre os moradores da Cidade Baixa e os ativistas de direitos humanos, que veem nele um exemplo das dificuldades enfrentadas pela população LGBTQIAPN+ em situações de abordagem policial.