O clima de incerteza paira sobre o Paraguai após a detenção do ex-presidente Santiago Peña, um desdobramento que não apenas impactou o cenário político, mas também deixou suas marcas na economia local e nas relações comerciais com o Brasil. A crise começou com problemas no banco digital Ueno, levando a uma série de eventos que culminaram no impeachment de Peña e na saída do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo Spalding.
Roger Maciel, que lidera a Câmara de Comércio Brasil-Paraguai, compartilha que, apesar das dificuldades, os investimentos já realizados no Paraguai não foram afetados de forma significativa. No entanto, as perspectivas de novos aportes estão temporariamente suspensas. “As análises para novos investimentos estão em pausa. Estamos em um momento de espera, mas as iniciativas que já estão em andamento devem ser retomadas assim que a situação se estabilizar”, explica Maciel.
É importante ressaltar que Santiago Peña tinha vínculos diretos com o Grupo Vázquez, que controla o Ueno, até março de 2025. O impacto da crise no Ueno, embora menor em termos absolutos se comparado ao que ocorreu com o banco Master no Brasil, é considerado mais devastador para a economia paraguaia, que é bem menos robusta. “O Ueno pode ter menos clientes, mas para o Paraguai, as consequências são muito mais severas”, analisa Maciel.
Na última terça-feira, o Banco Central paraguaio anunciou a liquidação do Ueno, que possuía cerca de 3 milhões de clientes e aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos. Essa situação desencadeou protestos intensos, mas a insatisfação popular parece ter diminuído após a destituição de Peña e o início da restituição de valores aos prejudicados. “O caos inicial se transformou em uma recuperação rápida. Já no último sábado, percebemos um movimento de volta à normalidade nos mercados”, conclui Maciel.


